orhan pamuk, escritor, autor de o romancista ingênuo e o sentimental, resultante das conferências de oxford conhecidas como norton lectures (um convite é feito para que algum intelectual fale durante o ano letivo em seis conferências, uma a cada dois meses):
“alimentar o gosto pelo romance, cultivar o hábito de ler romances indica um desejo de escapar da lógica do mundo cartesiano monocêntrico, onde corpo e mente, lógica e imaginação estão em oposição. um romance é uma estrutura única que nos permite ter pensamentos contraditórios sem constrangimento e entender diferentes pontos de vista ao mesmo tempo.”

acho que não preciso nem dizer (mas vou reforçar a ideia, hehe) que acho ótimo quando você posta coisas sobre literatura, né? os trechos escolhidos são sempre interessantes e profundos. esse do pamuk, por exemplo, me chamou atenção pela primeira palavra: alimentar. parece-me que a maioria dos aficcionados pelo mundo dos romances é movida por essa fome insaciável de leitura. às vezes acho que o verdadeiro leitor é um saco sem fundo. só ficará plenamente realizado quando conseguir ler todos os livros, pensamentos e listas do universo. diria até que ele tem muito a ver com sísifo: ergue a pedra da literatura até o cume só para assisti-la rolar e recomeçar o esforço de movê-la. a diferença, aqui, é que a leitura não é um castigo dos deuses. talvez seja o maior dos presentes.
só assino embaixo, thaís. sem qualquer comentário. você disse tudo.
foi a melhor síntese que já li sobre alimentar o gosto pelo romance. simplesmente perfeita. quando eu crescer quero ser assim… hehehee