o jornalista e escritor joseph mitchell escreveu a respeito de um perfil de joe gould, um sujeito que vivia nas ruas de nova york, tendo estudado medicina em harvard, e autor de uma suposta história oral da humanidade:
“se existe uma coisa que a raça humana possui em abundância — em abundância e em excesso —, é livro. quando pensei nas cataratas de livros, nos niágaras de livros, nos caudais de livros, nos oceanos de livros, nas toneladas e nos caminhões e nos trens de livros que naquele momento estavam jorrando das gráficas do mundo inteiro — e pouquíssimos dos quais valeria a penas pegar e folhear, que dirá ler —, comecei a achar admirável que ele não tivesse escrito a história oral”.

eu penso diferente. a história oral se perde, mas o papel… humnn… o papel é para sempre.
quero tsunamis de livros saindo das gráficas e invadindo as distribuidoras, livrarias, bancas etc.
quero ter o que ler e quero poder ler o máximo possível… quero surfar nas histórias e navegar nas melhores águas literárias.
o papel é para sempre? não sei. muita coisa inventada deixou de existir. não seria surpresa se o papel mudasse ou acabasse.
e os tsunamis trazem às vezes certos excessos. tendo a concordar com o mitchell. o que lamento é que ele, que escrevia tão bem, tenha parado de publicar.