surtos

ilustração | fernando vicente

 

 

ele achava que não tinha direito a coisa alguma. aceitou o divórcio, saiu da casa que havia herdado dos pais, acatou o valor estipulado para a pensão dela e da filha que tinham, júlia, bebeu um pouco mais nos dois meses seguintes para segurar o tranco e acalentou ideias violentas de bater na ex-mulher.

achou que fosse passar, que era fase, tivesse paciência e tudo iria se encaixar nos devidos lugares. mas quatro meses haviam transcorrido e as ideias violentas continuavam a lhe assombrar. então foi até a casa (que lhe pertencia por direito de herança!) num momento que sabia que a filha não estaria presente, e quando a ex-mulher abriu a porta com expressão de enfado, acertou um soco no nariz que a jogou estirada de costas no meio da sala. em seguida entrou, para terminar o serviço e nunca mais ser chamado de homem bom novamente. não queria ser o único estropiado naquela relação.

 

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