não há

 

 

“o futuro é ficção”, ela disse, e acendeu o cigarro. usava isqueiro vermelho como as unhas, bela combinação. vermelho sangue, pensei, ansioso. ela sorriu, eu disfarcei. ficção podia ser literalmente ou, mais provável, nosso futuro, dela e meu. uh, senti, na terceira vértebra, onde o punhal cravou.

queria ver até aonde aquilo poderia nos levar. ela, a falar temas filosóficos. eu, antecipando o restante da noitada. estava convencido de que paciência é o único atributo que os homens deveriam ter como prioridade, mais que a ansiedade pela conquista. a expectativa, no entanto, sempre se coloca no caminho da longa distância (o que a paciência solicita) e atrapalha o julgamento. ouvir o outro, mais que desejar o outro, era o segredo que meus hormônios estavam dispostos a ignorar de nariz empinado. parti para o que realmente importava e tratei de transformar nosso futuro em não-ficção, estampando o assassinato dela e a procura pela minha pessoa como principal suspeito nas manchetes dos jornais do dia seguinte.

 

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