um jeito

ilustração | yoshimoto nara

 

 

mergulhado no pântano da própria inércia, ele lastimou que houvesse se reduzido a apenas isso, uma sombra de si mesmo — que nem era grande coisa, para começo de conversa. o calor lodoso que sentia por dentro era bem próximo do que fazia do lado de fora, o tempo determinado a provar como era o clima do inferno antes que você fosse enviado para lá de maneira irrevogável.

sorriu de volta para si mesmo no espelho e resolveu que daria um jeito naquilo. torrou em dois meses o dinheiro juntado durante metade da vida, a tralha toda de países exóticos, experiências radicais, sexo, drogas, dois shows de rock’n’roll que nem foram assim tão bons e no fim sobrou o suficiente apenas para a arma com que daria fim a uma existência que parecia inútil. mas quando a arma falhou fragorosamente, aí sim percebeu que afinal era preciso viver, agora que havia chacoalhado o lodo do pântano para longe.

 

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