mesmo lugar

 

 

era cansativo, porque as pessoas continuam acreditando que amor era o que fornecia combustível para o funcionamento daquele órgão pulsante e involuntário. o amor, diziam, olhos arregalados, o amor, gritavam, cada vez mais alto, como se quisessem se convencer a si mesmas.

eu ria, dava de ombros, assobiava uma canção, disfarçava o constrangimento e era necessário insistir com aqueles tolos que, não, não era amor o combustível. mostrar o diagrama de funcionamento dos hormônios, o fluxo das correntes sanguíneas, o planejamento da reprodução, nada ajudava. a quimera sempre falou mais alto, a música dissolvia alguns conceitos, as imagens no cinema, na televisão, nos anúncios, nas fotografias, em toda parte. nunca uma praga foi tão eficaz. sucumbi, afinal, não adiantava jogar razão para um bando de alucinados, alucinaria também. foi o que fiz. então, só o amor constrói passou a ser meu credo, o deus, o norte. continuava cético, por baixo dos panos, estava apenas disfarçando bem. mas vi que era muito bom nisso, excelente mesmo. não estou arrependido, nem um pouco. afinal, agora sou aceito como um deles. isso conta para alguma coisa.

 

2 comentários sobre “mesmo lugar

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