é brincadeira!…

 

 

tomai e comei todos vós, este é meu corpo, o padre disse. tomai e bebei todos vós, este é o meu sangue, prosseguiu. todo mundo com cara de normal. ele falava em nome de outro.

ninguém para se dar conta de quão terríveis todas as religiões, devoradoras canibais dos deuses. o sentido? tornar-se deus também. sem limites para a soberba humana. os preceitos contra a soberba, o último pecado capital, de nada servem diante da ambição de endeusar-se…

 

7 comentários sobre “é brincadeira!…

  1. “ninguém para se dar conta de quão terríveis todas as religiões, devoradoras canibais dos deuses (…)” … sempre me incomodou essa espécie de “teofagia” com pretensão de santificar-se, querer ser um deus. você arrasou aí com esse texto. mandou bem demais. beijo

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  2. eu geralmente gosto de títulos que destoam levemente da narrativa, mas aqui eu não gostei. achei que o seu texto trouxe reflexões muito sérias e interessantes e que elas foram infantilizadas pela forma que você as nomeou. o texto é muito bom, porém. eu nunca tinha parado para pensar nessa tendência canibal…

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    1. a ideia é que o título reproduzisse aquele tom entre o deboche, a ironia e a indignação, quando se usa a expressão de forma coloquial, sabe? mas acho que falhei em transmitir isso (o modo como te desagradou é um sintoma claro disso) e confesso que não consigo pensar qual seria a forma certa para conseguir esse efeito…

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  3. a leitura pode ser diferente para cada um. eu entendi exatamente seu propósito de passar, com o título, uma ideia irônica e indignada a respeito do que está por trás das religiões. vou citar, novamente, a genial clarice lispector, de memória e sem aspas: o leitor tem reações próprias e está tão irremediavelmente ligado ao escritor que ele, leitor, acaba sendo o autor da escrita. portanto, ao menos para mim, você não falhou em momento algum desse texto.

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    1. obrigado pela defesa e bem lembrada a clarice, mirian. mas realmente não sei como resolver o impasse e me parece mesmo que o título entrou em descompasso com a história, porque ele envolve não apenas um conteúdo, que está presente, mas um tom, uma entonação específica, e foi esse tom, esse, vamos dizer, timbre de voz (não é o timbre, eu sei, mas só para dar uma ideia do que eu desejava representar), que não foi transmitido. ainda estou maquinando aqui um jeito de sair da saia justa, se é que existe.

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  4. tenho imaginação fértil e memória razoável. muitas vezes, consigo ouvir até notas musicais em determinados textos…

    tendeu? 🙂

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