agora

 

 

todos os pertences do morto agora parecem tão mortos quanto ele, mais objetificados pela percepção dos vivos que não sabem o que fazer com óculos que não servem para outros graus, chinelos gastos de um certo lado, livros marcados no ponto onde a leitura foi interrompida, remédios que esperarão nos frascos até serem postos no lixo. a morte aumenta a dimensão do tempo, alarga-o em excesso a ponto de não mais passar, de tão lento.

os objetos do morto estão mortos. deviam ter sido todos enterrados com o corpo.

 

2 comentários sobre “agora

  1. natalia 16/10/2012 / 11:54

    me atrevo a dizer que sensação semelhante se dá com objetos mortos de vivos mortificados. onde fica a cova para enterrar quinquilharias de gente viva?

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