insônia

foto | tim walker

 

 

os minutos escorrem como horas e seus olhos não se pregam. a mente quer encontrar aquele ponto em que poderia ficar quieta, um zumbido de fundo como se fosse ruído branco, permanente, mas que se faz notar só quando tudo o mais se suspende e então você percebe, está ali.

no trabalho da imaginação, construiu castelos, derrotou monstros, salvou e beijou mocinhas indefesas, leu por antecipação as notícias que precisa saber do dia. então decide, banho, café preto (agora sim, sustentará o capricho do corpo e vai reforçá-lo), as notícias de verdade, mas que quanto mais lê, menos precisa saber. será um dia ordinário, sem castelos, monstros ou mocinhas, a não ser que transforme o cotidiano também em imaginação, além das horas arduamente incorporadas aos olhos arregalados, o presente ilusório, as distâncias impossíveis. seu corpo anda cansado de sonhar, deve ser isso, mas também não suporta mais o excesso de realidade. o pior é que não há para onde fugir, então você suspira, confere o relógio e pega a pasta para cumprir mais um dia de infortúnio.

 

2 comentários sobre “insônia

  1. mirian oliveira 29/10/2012 / 18:37

    no alvo. ipsis litteris.

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