ensaio etéreo

 

 

aquele ensaísta ligou o abajur sobre a mesa e sabia a respeito do que ia escrever: sobre o ar e o nada.

escreveria tanto, por tanto tempo e com tanto afinco, que ao final, quando alguém lesse o ensaio, seria forçado a admitir que há mais sentido em todo o ar e vazio da literatura do que no ar e vazio da vida real — esses sim, um pé no saco.

 

4 comentários sobre “ensaio etéreo

  1. mirian oliveira 15/11/2012 / 12:35

    esse ensaísta sabe muito!

    sacada de gênio, só pode…

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    • paulopaniago 15/11/2012 / 13:54

      baseado num trecho do romance que escrevo, em que o personagem reflete sobre só mandarem técnicos (engenheiros, físicos etc.) para o espaço. poderiam mandar o andré comte-sponville e ele escreveria um ensaio a respeito da obrigatoriedade de perambular pelo universo sempre levando ar junto. o humano está “condenado” ao ar e por aí afora…

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  2. mirian oliveira 17/11/2012 / 17:13

    trata-se de outro romance ou esse trecho faz parte do deriva?

    p.s.: não me importaria em ser condenada “ao ar e vazio da literatura” por toda a eternidade, amém.

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    • paulopaniago 17/11/2012 / 18:26

      trata-se de deriva, sim. ele avança. terminei o primeiro rascunho dos capítulos (são sete) e agora estou na fase de reescrever até ficar no ponto certo. mas a micronarrativa é apenas baseada no que acontece lá, não chega a ser um trecho tal e qual…

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