tumultos de relações

foto | robert parkeharrison
foto | robert parkeharrison

 

 

nascemos para morrer, meu pai me disse, um dia que tivemos uma conversa séria a respeito de nossas crenças recíprocas. no entanto, morrer dá muito trabalho e é bem mais difícil do que se supõe, rebati. eu estava completamente apaixonado pela vida por aqueles dias e não ia entrar na tonalidade negativa que meu pai sempre teve ao longo de sua longa e obscura carreira de arquiteto. mas não resisti a lhe fazer uma provocação. de toda forma, eu disse, espero furar a fila e morrer antes que você. ele me olhou com uma mirada tristíssima, algo que nunca havia visto com aquela intensidade antes e então disse, se isso acontecer eu morro imediatamente. como se morrer fosse escolha. naquele dia eu soube que era o motivo pelo qual ele ainda se agarrava à existência e me senti lisonjeado e ao mesmo tempo responsável. não sei se fui cruel ou amoroso, pensando que talvez retribuía o carinho torto que ele tinha manifestado, mas dei de ombros e sorri ao dizer, não se preocupe, meu velho, eu ainda pretendo viver muito.

 

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