é isto

arte | sophy tuttle
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é sempre a mesma reclamação: as novas gerações não leem. ou leem menos, ou pior. enfim. ao que se seguem explicações (queixas, na verdade) de por que não leem: internet, síndrome de desatenção crônica, má educação. como se ler pudesse ou devesse ser imperativo. pois para mim, tanto se me dá que não leiam, ou leiam menos ou pior. egoísta até a medula, acho que sobram mais livros para mim, enquanto finjo ignorar que, se leem menos, publica-se menos e no limite a edição ficaria ameaçada de extinção, com direito a sociedade protetora e tudo. depois me dou conta de que, mesmo que todas as editoras do mundo interrompessem imediatamente a publicação de todos os títulos, ainda assim eu teria livros para ler a vida inteira (e uma vida só, por mais longa, não seria suficiente para ler apenas os que tenho vontade). livros para toda a vida. que bela frase. leiam, não leiam, a mim pouco me importa. que não me faltem os meus e sou um homem feliz.

 

5 comentários sobre “é isto

  1. Kaique Andrade 02/04/2013 / 12:35

    menos gente lendo, mais livros
    menos gente lendo, menos gente escrevendo, aliás (um pouco de esperança!)

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    • Kaique Andrade 02/04/2013 / 12:38

      porque imaginemos que existem livros porque existem pessoas para lê-los. existindo menos leitores, certamente existirá menos dessas literaturas-lixo e comerciais; sobram mais livros da boa literatura (talvez)

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      • paulopaniago 02/04/2013 / 22:20

        haha, tem lógica, embora talvez por isso não seja real.

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  2. Thaís Figueiredo 03/04/2013 / 2:05

    “livros para toda a vida” não é só uma bela frase. daria um belo título de livro também. e o texto, bom, o texto é ótimo. “pouco me importa” e “que não me faltem os meus” parecem resultado de prolongado esforço do narrador em pacificar internamente o assunto. sinal que o assunto da leitura é realmente importante para ele. e amantes de livros são protagonistas tão recorrentes em ficção (bom para mim, nunca me canso de ler sobre eles), que ela sempre encontra formas novas de se reinventar para retratá-los de forma interessante. já percebeu? toda a literatura deve ser a biografia camuflada de pessoas que gostavam de livros e só no papel encontraram meios de lidar com tamanho sentimento, no final das contas.

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    • paulopaniago 03/04/2013 / 9:34

      bom, você conhece o meu romance ‘homem no papel’, que é inteiro a respeito desse mergulho nos livros. para quem não conhece e está lendo isto aqui: trata-se de um personagem, roberto leme, que mergulha em romances e passa a interagir com os personagens deles. é talvez a minha maior declaração pessoal de amor aos livros. gostaria de poder dizer, breve nas melhores casas do ramo. mas não é bem assim. o romance é parte da minha produção silenciosa e calma de literatura contínua, haha.

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