depois da soberba

foto | caras ionut
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“sou soberbo para sobreviver”

thomas bernhard, extinção

 

começa pela soberba. você olha em volta e despreza as pessoas a ponto de não suportá-las e o fato é que você está cheio de soberba, se acha superior, melhor do que as pessoas a quem despreza e não suporta. mas então vem o próximo passo, que não sei se é melhor ou pior. porque o que acontece em seguida é que você se torna indiferente, não mais evita conviver com as pessoas, mesmo que as menospreze, nem julga insuportável o comportamento inadequado ou a panaquice em que parecem mergulhadas. você simplesmente não liga, o que fazem não te irrita mais nem atrapalha o seu humor. é indiferente. você não está nem aí, de vez em quando até concede um sorriso condescendente, um sorriso liberal que não parece, embora seja, um sorriso superior. só não consigo dizer que nome isso deveria ter, diferente da soberba, porque quando se tratava da soberba isso queria dizer que você ainda se importava.

 

7 comentários sobre “depois da soberba

  1. vanessaaquino 11/04/2013 / 12:11

    “sou soberbo para sobreviver”… isso é forte, mas acredito que é ainda mais difícil sobreviver com a indiferença – aquela particular, interna, aquela que causa apatia. com ela, nem a indiferença que vem dos outros sobrevive, o que nem sempre é ruim.
    belo texto, paulo paniago.

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    • paulopaniago 11/04/2013 / 13:05

      pois é, as coisas que o thomas bernhard escrevem são bem fortes mesmo, muito provocadoras. e a indiferença realmente é o pior remédio, principalmente se for honesta. uh! obrigado pelo elogio.

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      • mirian oliveira 13/04/2013 / 15:30

        indiferença é o melhor remédio contra a panaquice. haja saco pra gente que “se acha”. e a imensa maioria se acha o máximo, mergulhada na alegre escrotidão de mesmices, chatices e caretices. bom mesmo é mergulhar no romance que dura a vida toda, isto é, eu comigo mesma. isso é soberba? tô nem aí.

        paulo, você continua escrevendo/psicanalisando fodasticamente. adoro.

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  2. mirian oliveira 14/04/2013 / 0:01

    paulo, peço desculpas por meu infeliz comentário. foi de muito mau gosto e isso me incomodou. por favor, pode deletá-lo? grata.

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    • paulopaniago 14/04/2013 / 11:26

      mirian, não acho que você deva pedir desculpas, não achei o comentário de mau gosto, absolutamente. creio mesmo que você captou muito bem o sentido da minha inspiração bernhardiana (thomas bernhard, autor de extinção). se você quiser mesmo, no entanto, eu retiro, mas não vejo motivos. ainda mais, haha, que tem um elogio gigante no final que muito me envaidece. beijo.

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      • mirian oliveira 14/04/2013 / 11:54

        acho que peguei um pouco pesado no palavreado, é isso. mas se você não considera meu comentário inconveniente, tudo bem. sua opinião é o que importa, pra mim. outro beijo, querido.

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      • paulopaniago 14/04/2013 / 11:58

        acho que você foi audaciosa e verdadeira, disse coisas que eu mesmo gostaria de dizer, mas tem muitas camadas de verniz aqui que me impedem. de modo que adorei, na verdade. beijo.

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