o inesperado não se anuncia

foto | eleonore bridge e fabien gilles
foto | eleonore bridge e fabien gilles

 

 

no canto mais afastado e fronteiriço, aquele rei mandou instalar um duplo observatório, de onde podia acompanhar o reino e ao mesmo tempo o mar. o comportamento social e urbano dos súditos o interessava e, de outra parte, temia invasões marítimas. quando se distraiu com navios no horizonte (a pespectiva do confronto), os súditos aproveitaram para dar um golpe e retirá-lo de cena, algo que vinha sendo tramado nos silêncios ocultos, não no que se pode observar, ou seja, o comportamento social e pedestre da convivência aparentemente pacífica. quando os tais bárbaros aportaram, o rei estava destituído. também aí os temores eram infundados. os estrangeiros vinham em missão de paz, para tratar de acordos comerciais com os nativos, o que se travou sem qualquer animosidade aparente, no mais cordial dos ritos humanos.

 

2 comentários sobre “o inesperado não se anuncia

  1. patrícia leite 25/04/2013 / 10:27

    “algo que vinha sendo tramado nos silêncios ocultos, não no que se pode observar” — perfeito. prontofalei.nãosoubaú.

    você está demais esta semana, meu amigo. os textos estão com a densidade precisa, pelo meno do ponto de vista desta leitora que vos fala. hehehehhe… bjim

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