pensamentos esparsos

arte | vernon fisher
arte | vernon fisher

 

 

podia pensar qualquer coisa, porque sempre se pode. então pensou: “estou aqui neste lugar, escuto estas palavras e vejo essas pessoas que também escutam, prestam atenção e depois não mais, distraídas por celulares, laptops, tablets, esse chamado do mundo exterior, a pulsação da vida?, o labirinto das cidades, os rumores das línguas que o mundo fala, ou pensa que fala”. cresce um dente dentro do outro, ele ouviu, quando na verdade outra coisa foi dita, talvez apenas que algo estava dentro de outro algo. o tecido das cidades, o fio invisível das trajetórias pré-moldadas — o fio do meio fio, a direção, contida, que ele propõe. toda cidade, um minotauro e uma esfinge a pedir decifração. toda cidade se desenrola no tempo, migrante de si mesma, em expansão. o mapa diante dele era igual o contorno das costas de uma bela mulher. ele estava ali, pensando, bestamente, e assim o dia chegou aos poucos ao fim e depois ele tinha um compromisso e pensou em outra coisa.

 

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