ilusões

cama

 

 

aquele sujeito estava convencido de que era um grande escritor e que o mundo tinha o direito de conhecer a sua importante obra, especializada numa quantidade considerável de assuntos diferentes. ele estava seguro de que isso só não estava acontecendo por causa de um complô articulado pelos próprios filhos, que o haviam internado naquela instituição para velhos doentes mentais com o intuito de esperar que morra, para então lançar a obra e embolsar, sozinhos, todos os lucros. “crápulas”, ele formula silenciosamente, enquanto os recebe com uma frieza impávida, nos fins de semana em que se dignam a visitá-lo. por trás, pelas costas dos filhos, tenta negociar o tráfico de papéis para fora dali, com intuito de que sejam enviados a alguma editora. nunca dá certo e ele teima em botar a culpa na rede de informantes sustentada pelos três filhos exploradores e ingratos. eles disseram a verdade a ele, certa vez, ou seja, que é desprovido de talento. mas ele sabe que isso é apenas parte do plano maquiavélico daqueles três patifes e a cada dia que passa come menos, porque teme que o próximo plano de seus meninos seja envenená-lo e acelerar o trabalho do destino.

 

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