como se não fosse

aviões

 

 

os sons vieram, subindo e entrando, invasivos. a sinfonia ininterrupta do cotidiano: uma sirene de ambulância que primeiro aumentou, depois diminuiu; um cão que ladrou tristemente; um pássaro que emitiu dois trinados no voo e se afastou; o barulho constante do ruído dos carros, uma mistura do motor e do contato das rodas com o asfalto, um tipo de ruído branco que lhe fez se lembrar da capa de um livro de don delillo. a capa era branca, as letras do título também e portanto quase invisíveis — a ideia que existe no conceito de ruído branco, de que está lá de modo tão contínuo que não é mais ouvido, portanto inaudível para o ouvido como o invisível é para o olho. o mundo tem esses pequenos ajustes, detalhes que às vezes escapam à atenção, o que está lá e mal é notado, o grande número de intervalos que serão enviados para os desvãos do esquecimento.

 

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