construções inóspitas

arte | henry ossawa tanner
arte | henry ossawa tanner

 

 

era um homem de muita fé, muita. a fé, definia, aquele calor que lhe ardia por dentro e lhe dava a direção que devia tomar. a fé aquela voz que lhe determinava o que fazer. construir uma igreja linda e forte, custe o que custar. ele ouvia, o ardor brilhante no estômago. o sacrifício da inocente. ele ouvia, nenhum espaço para dúvida, sequer a mínima brecha. então um dia, acabrunhado no pátio da penitenciária, compreendeu, era ali que devia iniciar a construção da igreja, naquele vale de sombras perdidas. por isso tinha ido preso, o sacrifício da inocente era pretexto, não as penitências.

 

3 comentários sobre “construções inóspitas

  1. uaíma 29/05/2013 / 13:13

    um texto no qual, desprevenido, entrei como se eu estivesse indo à feira semanal de rua — o que, aliás, só me dá contentamento; mas o texto em questão envereda para outro tipo de alimento à mesa, com um tipo de degustação nem sempre em todo ambiente, pelo que felicito o autor, capaz de pousar em poucas palavras um clima severo, mas com nuanças de sol, dentro e à frente dele.

    em tempo: vindo até aqui para apreciar a pintura do henry ossawa tanner — a qual me valeu sobremaneira — encontrei também um bom texto.

    um abraço.
    darlan m cunha

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    • paulopaniago 29/05/2013 / 18:49

      obrigado pelos elogios, darlan. a inspiração do blog é múltipla, mas duas referências são importantes: o escritor suíço robert walser, que escrevia pouco e foi escrevendo cada vez menos; e o escritor alemão radicado na inglaterra w.g. sebald, que usava imagens com relação nem sempre direta aos textos. fique à vontade para voltar sempre que quiser.

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  2. Carol 30/05/2013 / 21:39

    inospitamente a fumaça. de p.s e r.s que se confundem, no ar.
    no que senti falta dos dois. astronautas e desaforidos. através dos profundos dos mares.
    gente que lê bonito e reverbera tanto quanto.
    faz muito, tempo. são vírgulas?!…p.s.r.s?
    ou livros talvez. em andamento. cer(v)ejas?!… na descida.
    aqui, frio da fôrra, é sempre boa estação para as bolinhas redondas de good. preferencialmente as naturais, as frutas. vermelhas. cerejas?!…
    belo texto, paulo. de novo. e, encore une fois. a fé. imolada. como as penitências.

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