tempo, tempo

foto | matthias heiderich
foto | matthias heiderich

 

 

ele pegou o relógio de pulso sobre a mesa de cabeceira e quebrou o vidro contra a quina da madeira. depois arrancou os ponteiros e aproximou o mecanismo do ouvido. continuava escutando o tique-taque incessante. então tornou a bater o relógio e ouviu o barulho das peças cedendo ao impacto. o relógio estava parado. ele se levantou e em seguida se virou na direção da janela. havia uma nuvem parada e ele a observou por alguns instantes, à espera de reconhecer o movimento, mas não foi possível. então acreditou que havia sido bem sucedido. por um microssegundo de autoengano soube que havia feito o tempo parar e nada mais avançaria, tudo no mesmo ponto para sempre. mas quando se dirigiu até o banheiro e verificou que precisava gastar tempo para percorrer certo espaço, entendeu que o problema era outro e o tempo continuava a fazer o trabalho. então ligou para o irmão e disse. pode me internar, admito, não estou bem. e se sentou no sofá, à espera dos enfermeiros que viriam buscá-lo.

 

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