talento para a desordem

escada

 

 

a questão é a grande desordem, ele me disse, os olhinhos pequenos por trás dos fundos de garrafa dos óculos que era obrigado a usar porque os olhos rejeitavam lentes de contato, como se seu corpo estivesse em guerra contra qualquer coisa remotamente parecida com modernidade. a grande desordem que a tudo consome, ele insistiu. mas eu sabia, não precisava que ele dissesse. a gente passa a vida tentando arrumar isso e aquilo, mas o mundo se encaminha de maneira sistemática e voluptuosa para o caos. acho que os cientistas chamam de entropia. o talento para a desordem, se quiserem. a grande desorganização que se encaminha de duas formas: com bagunça das células, generalizada e constante, durante a vida; e com a grande ausência de confusão que é a morte, o sintoma máximo de que a desorganização venceu, é definitiva e para todos.

 

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