precipitações

foto | duane michals
foto | duane michals

 

 

toda vez que abria a porta de casa para sair e ouvia o clique do sensor de movimento que acionava a luz do corredor, ele esperava ouvir o coro trágico anunciando “ó, fortuna!”, devidamente emoldurado por alguns acordes dramáticos. entanto a vida prosseguia em seu miserável sequenciamento, distante, nada de trágico hoje para você, o anjo silencioso do destino dizia, erguendo os olhos da prancheta onde as atrocidades do dia estariam assinaladas com a devida assinatura divina ao pé da página. quis surpreender as escrituras e inopinadamente saltou pela sacada naquele dia, em vez de sair pela porta. a decisão foi súbita e, se o anjo silencioso tivesse sido consultado, teria dito que foi um tanto precipitada, porque para daí a uma semana estava previsto para ele um assalto seguido de assassinato, ou latrocínio, como diria o relatório da polícia e o boletim noticioso para o rádio.

 

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