ciclos

navio

 

 

o homem se prepara para dormir, lentamente. escova os dentes enquanto contempla o movimento da escova no espelho, as rugas em torno do olho, o cansaço do rosto que lhe sugere a necessidade de aumento do número de horas de sono, algo que a vida não lhe permitirá ter. sem problema, dormirá quando estiver morto. de fato, na cama, ele contempla primeiro o escuro, depois, quando desiste de tentar, a tela do computador, as páginas de um livro, as de uma revista, depois novamente o escuro. seu pensamento se volta para o instante em que estava no banheiro, andando lento, largo, larguissimo. a sucessão de movimentos — lento, apressado — que a vida apresentará de novo e de novo, como a repetição de histórias semelhantes que o cinema insiste em recontar. é simples, ele equacionou, numa hora você está vivo e depois não está. alguns serão esquecidos, alguns lembrados às vezes, enquanto a terra dá mais uma volta em torno do sol.

 

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