próximo

curva

 

 

o jeito humano de lidar com a morte é não saber lidar. tire a morte da equação e restam as trivialidades. descansou. escolha o tipo de caixão, a cor da gravata, a hora da cerimônia do funeral e do enterro, a cor do mármore, de revestimentos, atenha-se a ouvir as pessoas a dizer obviedades — sentidos pêsames, sinceros pêsames, era uma boa pessoa etc. —, o tom certo e contido do seu comportamento nos próximos dias. apenas a morte não está ali, a totalidade, a vastidão brutal e insuportável da morte, esse grande passaporte para o desconhecido absoluto. aos vivos restam as trivialidades dos relatos que se repetem, a espera na fila para quando chegar a sua vez, o teatro estúpido dos cumprimentos, dos gestos, de tudo.

 

4 comentários sobre “próximo

    • paulopaniago 28/09/2013 / 15:07

      são, quando conseguem sair das óbvias “amado esposo”, “amado pai”, “amado isso”, “amado aquilo”

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  1. arlene l. araújo 28/09/2013 / 15:25

    a minha filha foi ao velório do pai de uma amiga dela. o primeiro e único velório que ela foi.
    resolveu, junto com a filha do falecido, dar uma volta pelo cemitério. se deparou com um jazigo que dizia: jazigo perpétuo da família. ela, indignada, falou bem alto: olha só o nome do cara!! jazigo perpétuo! e da família!!!
    foi uma gargalhada geral no cemitério.

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