desaforismos (segunda temporada): 25

foto | micheal winterbottom
foto | micheal winterbottom

 

 

250. não é o fato de que o luto seja mecanismo para que a vida possa continuar o que surpreende; é o fato de que para que a vida continue seja preciso esquecer o morto — soterrar novamente, agora de forma simbólica.

251. o passado é o mais presente dos fantasmas, a assombrar as horas vazias do cotidiano.

252. deus se entediou infinitamente antes de criar o big-bang. agora envelhece e caduca, prestes a perder o controle.

253. dar consciência e dúvida ao homem foi a perversidade de deus para não sofrer sozinho com a dimensão do próprio projeto. ser mortal e saber disso é a vingança humana — quero crer que não prevista no plano original.

254. o erro humano, quando deus fez o homem mortal, foi levar a morte a sério. só rindo da morte é que o homem se vingaria à altura.

255. o suicida não desistiu da vida, desistiu de deus de maneira mais honesta.

256. suicidar-se: verbo imbecilmente reflexivo.

257. o míope sempre acorda num mundo embaçado.

258. a vida se leva na representação diária do teatro das relações humanas. literatura é a explicação do que motiva a peça.

259. escrever a respeito da morte é uma forma de resistir a ela.

 

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