rasura

foto | flip nicklen
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ele sofria do mal de azar. é dizer, a sorte o tinha banido das visitas, relegando-lhe migalhas, bem poucas, que ele não chegou exatamente a entender como deveria apreciar. o destino, que alguns dizem que é moldável, virou-lhe as costas sistematicamente. mas o sujeito era persistente além da conta e se a regra geral determina que a banca sempre vence, fato é que ela em algum momento no meio do caminho é forçada a ceder — o diabo também aposta, afinal — e foi numa dessas que o sujeito, cujo sobrenome era malazarte, veja você, faturou alto. saía naquele momento do cassino com os dinheiros em duas sacolas recheadas quando foi atropelado e morreu. dizem as más línguas que o carro que o atropelou pertencia ao pessoal que trabalha para o dono do cassino, mas isso são maledicências, imagine se todo sujeito que ganhasse alguma coisa na roleta fosse atropelado ao deixar o estabelecimento?, não faz sentido. o que sei é que ele entrou no ambiente decidido a torrar o que lhe restava de dinheiro antes de dar o salto para a morte. o que imaginava era um voo da cobertura, não o arremesso para cima que o carro lhe concedeu. de qualquer modo, não sei dizer se isso entra na categoria de azar, nesse caso.

 

10 comentários sobre “rasura

  1. mirian oliveira 02/10/2013 / 1:27

    não recebi seus desaforos nos últimos dois dias. algum problema técnico ou estou excluída da tribo dos excluídos?

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    • paulopaniago 02/10/2013 / 7:37

      algum problema técnico, com certeza, mirian. mas não sei dizer qual seja, infelizmente, ou como corrigir. eu jamais te excluiria (acho que nem tenho [ou quero] autorização para isso, quem se inscreve para receber os posts é que tem ou não esse poder, suponho).

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  2. angelinoneto 02/10/2013 / 20:52

    saudações!
    receber aquilo que se espera não pode ser azar! apenas uma “ironia” da lei da atração ou uma forma de deus responder a nossa fé!!!

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    • paulopaniago 03/10/2013 / 15:43

      concordo com a primeira parte, até mesmo com a ideia de ironia e agradeço o comentário, mas por favor me exclua do seu plural

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  3. angelinoneto 03/10/2013 / 16:04

    rsrsrsrsrsrsr!!!
    mesmo um atéu tem fé… só precisa escolher em que ter fé!!!

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      • mirian oliveira 04/10/2013 / 1:43

        — toda vez que nasce um bebê, renova-se a esperança de que a humanidade tem jeito.

        — mas basta olhar para o lado e ver quanta merda o ser humano é capaz de produzir para essa esperança descer pelo ralo.

        [paulo paniago]

        p.s.: minha fé no pó de café também é inabalável.

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      • paulopaniago 04/10/2013 / 14:17

        a minha fé nesse tópico, nesse elemento, sempre se manteve inalterada.

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