no hospital

balão-baleia

 

 

o velho estava doente mas não foi por isso que tinha sido hospitalizado. ao atravessar a rua, descuidado, meditante — algumas línguas sugeriram intencionalidade —, veio o carro e o atingiu. depois ambulância, cirurgia e agora ei-lo, com olheiras profundas e travesseiros nas costas, a se recuperar. desanimado com tudo, quiçá com o andamento geral da vida, que nunca variou além de moderato, ele reflete acerca de toda a obviedade que conseguiu acumular e que mal lhe rende qualquer troféu, nem pai do ano, nem funcionário do mês. sorrateiramente, a doença desenvolve tentáculos que lhe minarão a vida e os problemas na mesma tacada.

 

4 comentários sobre “no hospital

  1. arlene l. araújo 11/10/2013 / 13:59

    esse post, assim como alguns outros seus, tem a maior cara de vida real.

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