de um a outro

imagem | angela bulloch
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acumulava alegrias efêmeras com grande prazer. a dizer a verdade, preferia-as às alegrias prolongadas, porque eram talvez mais fáceis de administrar. gostava sobretudo de substituir uma alegria efêmera pela seguinte e ainda mais quando na sequência vinha uma tristeza, essa sim, mais dilatada e invasiva. “as emoções eu as trago sob rédeas curtas”, dizia, entre jocoso e debochado, aos amigos. no fundo, eles não ligavam a mínima para o modo como ele controlava ou expandia as emoções: todo mundo nessa vida só tem olhos para si mesmo e o que todos os narcisos enxergam em outras pessoas são os próprios defeitos e qualidades ampliados ou reduzidos. ele, portanto, se comprazia com as doses reduzidas de alegria, que se sucediam como pingos de chuva.

 

7 comentários sobre “de um a outro

    1. quer saber, se os desaforos fossem sempre assim elogiosos, eu não me desagradaria de continuar para sempre a recebê-los. a ambição é essa, aurea, desnudar-me a mim para quem sabe desnudar os leitores. obrigado. abraço.

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