perguntaram ao escritor onde ele arruma ideias

ilustração | oliver jeffers
ilustração | oliver jeffers

 

 

no supermercado, foi a primeira resposta. seguida de um sorriso maroto. estavam em promoção, ele insistiu, como se fossem um produto  que pode ser vendido a preços mais baixos do que os inicialmente oferecidos (o que significa que alguém está sempre lucrando mais do que precisa quando o preço está “normal”). às vezes eu as arrumo quando estou saindo do supermercado e vejo aquela mulher revirando a lata do lixo à procura de alimento, a mesma que você olha mas não enxerga? essa. ali estão as boas sugestões para escrever. ou para escrever a respeito de qualquer outra coisa. também arrumo argumentos quando jogo basquete, quando tusso e espirro e sobretudo nos momentos em que observo a grama crescer com todo o cuidado necessário. agora uma coisa é certa —- e nessa hora ele ficou sério —-, nunca arrumei ideias enquanto respondo a indagações cretinas que me fazem. é como se perguntas imbecis espantassem os pensamentos num raio de cinquenta quilômetros em volta. quando não tinha jeito, ser mordaz era estratégia importante para manter a boa forma. se o escritor treinasse boxe, seria o momento para convidar o oponente para uma sessão na qual o jornalista seria moído de pancadas e aprenderia a nunca mais fazer interrogação desse tipo para qualquer pessoa. todo escritor que foi submetido a essa questão devia fazer matrícula numa academia de boxe na mesma hora. uma norma que as associações de escritores nunca cogitaram em implementar, mas pensando bem não seria má ideia.

 

6 comentários sobre “perguntaram ao escritor onde ele arruma ideias

  1. marielfernandes 26/11/2013 / 10:21

    pessoalmente eu não arrumo ideias. eu as estrago o bastante para que o texto fique compreensível.

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    • paulopaniago 26/11/2013 / 11:11

      pessoalmente, eu perco. nunca encontro ideias. perco em qualquer lugar, em diferentes situações e quando vou procurar, nunca estão onde foram perdidas. uma loucura.

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  2. karla beatriz 26/11/2013 / 13:36

    adoro e não consigo não pensar que o supermercado esteja permeando nossas vidas de uma maneira bem relevante. supermercado de: estilos, cultura, pensamentos, inter-relações… falta definir o que pegar na prateleira e colocar no carrinho.

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    • paulopaniago 26/11/2013 / 16:38

      fecho com o zeca baleiro: “lugar de ser feliz não é supermercado”. abaixo o supermercado de estilos, cultura etc. viva a vida real.

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      • voudemoda 27/11/2013 / 0:17

        hahahaha. ok, adoro essa música.

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