para falar de amor

arte | tasos chonias
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às vezes eu me pergunto se o que sentia por ela era amor, se podia levar esse nome, a palavra provavelmente mais gasta e de pouca serventia na face da terra. talvez não fosse amor, mas obsessão. talvez uma mistura dos dois, se é que um —- o amor —- existe sem o outro. um amor suave, tranquilo, sossegado, pode-se dizer que é amor? há que dizer que sim, mas não estou bem certo. amor tem que ser fogo e carne exposta e dor e felicidade suprema e compulsão e abertura dos pulsos. o resto é armazém de secos e molhados. a vida besta, a vela que brilha, a reza e a comunhão, a bobagenzinha menor, o cigarro aceso, os vazios acumulados dentro da carcaça abandonada no mais remoto dos desertos. o que sentia por ela era amor, me respondo, porque era destrutivo. doentio, desgarrado, alucinado, portanto sufocante, e descompassado, mas insisto, amor tranquilo não é amor. ainda bem que superei, suspiro, que superamos. senão ia acabar em morte certa, dela, minha ou de nós dois.

 

10 comentários sobre “para falar de amor

  1. karlabeatriz 06/12/2013 / 15:47

    uau! não existe meio termo? então amor é surfe em alto-mar? e os do tipo passeio de gôndola em veneza?

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    • paulopaniago 06/12/2013 / 17:01

      passeio de gôndola em veneza deve ser bom por cinco minutos. depois bocejo bocejo, dá um sooono.

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      • voudemoda 06/12/2013 / 22:44

        o passeio é calmo, mas seguro. considero o surfe mais legal, porém também cansa e depois dá sono. os dois sem estarem combinados dão sono. 😉

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  2. erika 06/12/2013 / 17:51

    amor constrói, não destrói. é mais sábio e generoso que o mero desejo, acho. bom texto! bj,

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    • paulopaniago 07/12/2013 / 10:33

      obrigado, erika. a ideia do texto era mesmo provocar debate, aguçar ideias. acho que deu certo.

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      • erika 07/12/2013 / 11:05

        deu sim. eu tb caio fácil, heehee. 🙂

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  3. arlene lopes 07/12/2013 / 0:08

    macho e fêmea num vício alucinado; prazer e dor disfarçados de amor.

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    • paulopaniago 07/12/2013 / 10:34

      o amor tem mil disfarces, deve ser por isso que até hoje ninguém conseguiu definir completamente.

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