para falar de amor

arte | tasos chonias
arte | tasos chonias

 

 

às vezes eu me pergunto se o que sentia por ela era amor, se podia levar esse nome, a palavra provavelmente mais gasta e de pouca serventia na face da terra. talvez não fosse amor, mas obsessão. talvez uma mistura dos dois, se é que um —- o amor —- existe sem o outro. um amor suave, tranquilo, sossegado, pode-se dizer que é amor? há que dizer que sim, mas não estou bem certo. amor tem que ser fogo e carne exposta e dor e felicidade suprema e compulsão e abertura dos pulsos. o resto é armazém de secos e molhados. a vida besta, a vela que brilha, a reza e a comunhão, a bobagenzinha menor, o cigarro aceso, os vazios acumulados dentro da carcaça abandonada no mais remoto dos desertos. o que sentia por ela era amor, me respondo, porque era destrutivo. doentio, desgarrado, alucinado, portanto sufocante, e descompassado, mas insisto, amor tranquilo não é amor. ainda bem que superei, suspiro, que superamos. senão ia acabar em morte certa, dela, minha ou de nós dois.

 

10 comentários sobre “para falar de amor

      1. o passeio é calmo, mas seguro. considero o surfe mais legal, porém também cansa e depois dá sono. os dois sem estarem combinados dão sono. 😉

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