uma solução não menos estranha (última parte)

foto | christophe jacrot
foto | christophe jacrot

 

 

numa noite de insônia, enquanto pensava a respeito do estranho caso de falta de sincronia entre a mente e a fala de um paciente novo que havia surgido em meu consultório, tive um estalo. ou melhor, meu cérebro teve. assistia à televisão, meu recurso para combater a insônia (essa falta de sincronia entre a oportunidade e os desejos atônitos da mente) e num daqueles canais dedicados a exibir velhos filmes passavam cantando na chuva. é isso!, berrei, satisfeito como se tivesse salvado alguém de se afogar. peguei o telefone imediatamente e liguei para o meu paciente. eu ouvi o telefone ser retirado do gancho, houve um hiato e então ele disse, alô? sou eu, seu médico, eu disse. descobri uma solução para o seu problema, eu acho. você tem que cantar toda vez que for dizer alguma coisa. se funciona para os gagos, talvez funcione também para você. vamos lá, pode começar. imagine uma melodia qualquer e diga o que você está pensando como se fosse um personagem de musical. pode começar. e não é que deu certo? a doença persiste até hoje, parece que é crônica e incurável. mas o sujeito pelo menos consegue encontrar de novo a conexão entre o pensamento e a fala, ou melhor, o canto.

 

4 comentários sobre “uma solução não menos estranha (última parte)

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