reflexões sobre a violência

foto | fabiano rodrigues
foto | fabiano rodrigues

 

 

durante muito tempo ele flertou com a violência. o componente sedutor da violência exercia nele verdadeiro fascínio: a brutalidade contra o outro, a submissão a que a vítima normalmente se submete, até para depois reivindicar para si esse papel de vítima e buscar nos outros a solidariedade e de forma abstrata algum tipo de reparação, a justiça, o restauro da condição que a pessoa usufruía antes de ser agredida. do seu ponto de vista, havia grande parcela da humanidade que se predispunha a fazer o papel de vítima e depois procurava (e encontrava) eco para repudiar o trabalho do agressor. ele no entanto vinha se interessando cada vez mais pelo desempenho da violência como a força motriz que alavanca o progresso. a violência está na natureza —- os animais a comerem uns aos outros, os terremotos e maremotos, os tsunamis, vulcões, deslizamentos de terra, tudo se mistura com a parte exuberante num convívio que ao homem soa estranho, mas que para a natureza, alheia a conceitos de ética e moral, faz parte daquilo que ela é, simplesmente. ele estava preocupado com isso, ser o que ele era, sem qualquer filtro ou educação a lhe polir ou toldar os instintos. talvez fosse isso a liberdade.

 

7 comentários sobre “reflexões sobre a violência

  1. annie dos ventos 13/01/2014 / 22:34

    instinto é bem diferente de violência, acredito que violência é algo completamente antinatural, que vem de repressão e “pré-conceitos” gigantes. tsunamis, terremotos etc. são eternos ciclos da natureza, caçar por questão de sobrevivência, será que realmente é violência? mas entendi o texto e acredito que muito de nossos conflitos se dá pela repressão de nossos instintos. reprimimos nossa raiva, nossa tristeza, nossos desejos, em vez de enxergá-los de forma natural e encontrar uma forma mais positiva. a liberdade está contida em fazer o que você quer, mas ao mesmo tempo é preciso grande consciência de que essa liberdade está em o que fazer com o que se sente e em reações. não sei se deu para me entender ;b muita luz para você.

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    • paulopaniago 13/01/2014 / 23:36

      instinto é diferente de violência, de acordo. mas instinto humano sugere violência, ela portanto não é “completamente antinatural”, como você afirma. pelo contrário, ela é muito natural. educar, civilizar é não respeitar essa violência natural (e ainda bem, claro, senão o ser humano seria ainda pior do que é). outra coisa, liberdade não é fazer o que se quer, porque isso redundaria em caos, mas em fazer o possível dentro de certos limites. logo, o conceito de liberdade é um tanto complicado, porque implica abdicar dela quando isso envolver afetar, negativamente, outras pessoas. o final do seu argumento ficou um tanto confuso, me parece. mas acho que entendo aonde você pretende chegar.

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      • annie dos ventos 14/01/2014 / 0:20

        eu não afirmo nada não, só estou meio que refletindo junto com seu post… me desculpa, não consegui me expressar, sim, a liberdade assim é caos.é preciso consciência, maturidade e responsabilidade para expressar liberdade. eu quis dizer fazer o que se quer desde que não machuque o outro. bons ventos para você 🙂

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  2. thais 14/01/2014 / 14:44

    meu texto predileto do desaforos em 2014. gosto particularmente do final, do talvez. me parece que o tom indeterminado não tem a ver com a concepção que o narrador possa ou não ter da liberdade. pelo contrário, ao afirmar que ele estava preocupado com ela, não me convenceu de que realmente a queria. enfim, seu (ótimo) texto diz o drama humano, aporético por essência. ser ou não ser?, sempre. beijo.

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    • paulopaniago 14/01/2014 / 15:48

      todo dia é um ser ou não ser diferente, me disse alguém uma vez. espera aí, foi você, hahaha.

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