sincronia impossível

passagem

 

 

fazia grande esforço para viver sempre no presente, concentrando-se no que havia de bom no momento em que se encontrava e em se livrar dos problemas que porventura se apresentassem. mas bastava um pequeno deslize, um momento curto de falta de foco para se pegar ou projetando o futuro ou nostálgico com relação a algo que lhe havia ficado lá atrás. um grande insatisfeito, é isso que o homem é, dizia, no divã do analista, e a culpa é da consciência que ele tem do tempo, ao fracioná-lo em três partes. o analista balançava a cabeça, fingindo concordar, mas a verdade é que não estava em sua alçada compreender a verdadeira dimensão psicológica do problema do tempo, porque só conseguia pensar em termos de implicações relacionadas à vida cotidiana e social do cliente. queria tradução para termos mais pedestres. não posso tratar de um problema relacionado à noção de tempo, o analista reclamava, quando era ele no divã, com o mentor que precisava ter para manter a qualidade do trabalho. e portanto o tempo continuava a fazer o trabalho de desorientar os humanos, de modo geral e irrevogável.

 

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