assim como de outra forma

foto | andrea galvani
foto | andrea galvani

 

 

eles poderiam se dar bem, se houvesse boa vontade mútua. gosto de você, ele disse uma vez, quando voltavam de uma exposição de um artista irlandês. não sabia que os irlandeses podiam ser artistas plásticos, ela disse, só conheço os escritores. foi então que ele disse que gostava dela e lhe afastou a franja do rosto, antes de lhe dar um beijo. a tolerância, no entanto, base da manutenção das relações amorosas, não era o forte deles. ela exagerava na bebida e ficava inconveniente. não gostava quando ele acendia um baseado, embora aquilo quase não tivesse efeito em seu comportamento, a não ser para deixá-lo mais tranquilo. um dia, depois de escoltá-la do bar até em casa ele foi fumar um. a discussão começou, as acusações trocadas foram num crescendo e até hoje a perícia não determinou qual dos dois deu a primeira facada no outro. o que não se deixa de comentar é a quantidade e a forma do sangue nas paredes, o que muito lembra as artes plásticas da vida cotidiana.

 

2 comentários sobre “assim como de outra forma

    • paulopaniago 25/02/2014 / 18:50

      ou em toda parte. e vice-versa também, a arte imita. às vezes desafia, altera, vai além. ambas se amam e odeiam, parece.

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