flutuações do pensamento

foto | matthias heirerich
foto | matthias heirerich

 

 

meus olhos caminhavam meio vagabundos pela sala, a poltrona, as estantes, o vaso de begônia que eu normalmente maltratava com pouca água, os quadros todos um pouco bêbados, se alguém tivesse o cuidado de reparar bem —- eu estava reparando, por sinal. o pensamento, no entanto, estava na sala e não estava, ia lá fora e longe, nova york, a chapada dos veadeiros, o atlântico sul em polvorosa no cabo das tormentas, o polo norte com grandes placas brancas de vastidão e opacidade, dinamarca, certas imagens de povos do interior da rússia em nada parecidas com as que a televisão e os jornais insistem em mostrar, das mesmas e velhas e conflituosas capitais, um anoraque. o pensamento também ia ao passado, em mergulhos súbitos e disparatados, depois ao futuro cheio de cores e possibilidades. a vida, eu me sussurrei, como se precisasse me convencer, essa minha mania de ser um outro que conversa comigo, é uma coisa bem interessante. pena que acabe tão rápido.

 

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