a morte no caminho

torre

 

 

a morte havia se banalizado a tal ponto que, sem ninguém se dar muito por isso, tinha se trivializado. as pessoas morrem, fazer o quê?, era mais ou menos a lógica vigente. as pessoas começaram atendendo celulares nos velórios e enterros, esse chamado inapelável da vida com a qual, no fim das contas, os sujeitos estavam comprometidos. a coisa começou a piorar quando deixaram de comparecer. mandavam mensagens de condolência para a família pelo celular, curtiam nas redes sociais os anúncios de missa de sétimo dia, como se fosse algo agradável a ponto de ser curtido, e impreterivelmente faltavam, quem tem tempo para missa de sétimo dia? alguns chegaram a cometer a desfaçatez de perguntar nos círculos mais restritos por que as pessoas ainda insistiam em morrer. aquilo, afinal, estava atrapalhando o andamento dos negócios.

 

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