desaforismos (segunda temporada): 33

pato

 

 

330. partilho uma mesma religião com todos os seres humanos, mesmo sem querer: sou mortal.

331. a expectativa se interpõe no caminho da felicidade. ninguém é feliz no futuro.

332. a literatura, mais que de palavras, é feita de silêncios. o que leio e não sei recontar, o que não posso, o que guardo para mim e até mesmo de mim.

333. é preciso cozinhar as emoções para que o sabor amargo se dissolva.

334. a dúvida é um bálsamo. sem ela, o ser humano seria mais insuportável do que é.

335. o fato de que todo mundo torna a vida tão chata —- burocracia, obrigações etc. —- prova o pouco apreço que as pessoas têm por ela. logo, o suicídio sempre se justifica.

336. o melhor curso de formação para publicitários seria fazer com que lessem aforismos durante quatro anos. a dúvida é se alguém permaneceria na atividade ao fim do período.

337. libertinos escondem o pudor atrás das palavras desabusadas que usam durante o sexo.

338. lapiseira leve não respeita as palavras.

339. procurar erudição é fórmula certa para encontrar melancolia.

 

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