Diálogo de tristes

Imagem | Erica Elan Ciganek
Imagem | Erica Elan Ciganek

 

 

Sou triste, aquele sujeito me disse, e o semblante confirmava com exatidão as palavras. Sim, ele era triste. Se acreditasse em pessoas que se dizem capazes de enxergar a aura, em vez de achar que são loucos de carteirinha, eu possivelmente acreditaria se me dissessem que a aura dele era cinza ou não-existente. O rosto, por exemplo, tinha um aspecto tão opaco que se tornava difícil, quando estava longe dele, lembrar de como eram suas feições, como se minha memória resistisse a apreender sua fisionomia e gravá-la. Mas um sujeito triste tem duas opções diretas, rebati. Pode se afundar de vez nisso e aguentar as consequências, quaisquer que sejam, ou pode se encaminhar para o outro lado e aprender a ser feliz. Não é assim tão preto no branco, ele respondeu, com um pequeno levantar de ombros. A tristeza vem em ondas e te afoga completamente, é como se jamais tivesse autorização para aprender a nadar.

Para isso eu não tinha qualquer resposta.

 

4 comentários sobre “Diálogo de tristes

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