O fio persistente das relações

Imagem | Felice Casorati
Imagem | Felice Casorati

 

 

Ela farejou as correntezas subterrâneas do seu par e mais uma vez foi forçada a concluir que ele era um caso perdido e irrecuperável e que a missão que havia se estabelecido — de salvá-lo de si mesmo e do afogamento no oceano de demônios que ele insistia em preservar dentro de si — era desde o início fadada a um tipo parcial de fracasso. Ela suspirou, até quando iria resignar-se a ser persistente, perguntou-se, em silêncio. Mais um pouco, foi a resposta que ela mesma se forneceu, uma vez mais. E sorriu para ele, como se isso pudesse ajudar em algo, ignorando o alarme interno, que insistia em permanecer disparado.

 

4 comentários sobre “O fio persistente das relações

  1. marielfernandes 16/11/2014 / 8:58

    É um contrato, penso. Há sempre algo que nos mantém ali, mas por nós mesmos. Lindo o texto

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