A vida, trezentos passos

 

cavalos

 

 

Trezentos passos, ele contou, desde a árvore em direção às montanhas. Ali enterraria o cadáver. Mas qual era o objetivo de contar passos se o que desejava era esquecer que havia matado a mulher de sua vida, sobretudo porque ela continuava a insistir que não queria saber dele. Ele, por sua vez, achava inconcebível que a vida devesse continuar sem ela ao lado, não como cativa, mas como alguém que também não pode viver sem ele, que o ama incondicionalmente, do mesmo jeito que ele a ama, com essa sofreguidão que anuncia o seguinte: é desse modo que devo ser amado, com essa intensidade absurda ou nada. O assassinato tornou-se incontornável, único modo de reter o amor naquele ponto do absoluto. Um coração não pode ter qualquer reserva, nem fraquejar nos momentos decisivos. É assim que a vida estabelece, coloca demandas, estipula prazos.

 

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