O que pensar a respeito

Imagem | Nicole Drake
Imagem | Nicole Drake

 

 

Não sei dizer o motivo pelo qual a conversa descambou para a qualidade dos seres humanos, sei que eu defendia que éramos por princípio todos iguais e ele argumentava, ao contrário, que havia os cretinos e os desprezíveis e ninguém parecia escapar ao crivo de sua análise. De mim para comigo eu sei que há diferenças entre as pessoas, muitas e profundas. Mas às vezes, diante de um estúpido, é preciso radicalizar na defesa do projeto humano, que por mais falho que seja apresenta sempre uma promessa que nos redime a todos, a despeito da quantidade de idiotas que parecem ter sido talhados justamente para desmentir qualquer ideia de esperança e reforçar o pensamento de que tudo já desceu mesmo pelo ralo: a intolerância dele era geral e envolvia a humanidade, a minha era específica e dirigida a ele, bem como aos demais semelhantes a ele, os de sua laia, como teria dito o meu avô se a ocasião lhe tivesse sido oferecida. Então, tendo estabelecido que tínhamos um ponto em comum, a intolerância, com pequenas diferenças de escala, pudemos voltar cada um para a própria leitura, eu de um livro, ele dos jornais que trazia consigo. Mantivemos então o silêncio do desprezo mútuo, mergulhados ambos em nossas certezas tão absolutas quanto possivelmente equivocadas.

 

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