8. A liberdade da solidão

8ovelha

 

 

Era uma ovelha, mas não como as outras. Não balia contente, detestava canto coral, tinha um mau humor do cão e, não bastasse, sua lã era distinta: preta nos lugares onde se esperava que fosse branca, raspada nos lugares um tanto comprometedores. “Fora do rebanho”, expulsaram as outras, preocupadas com o modo como sua imagem denegria o bando. “Eu não queria mesmo andar com vocês”, disse aquela ovelha de lã negra, um certo desdém na voz. Alguns viram na postura altivez e orgulho, outros juram que se tratava de uma ponta de ressentimento por ter sido rejeitada, mas ninguém sabe dizer com cem por cento de certeza e a dúvida persiste até hoje. O fato é que anda bem mais contente e livre, agora que se separou do bando, isso ninguém nega. Tem pensado inclusive em fundar uma editora.

 

2 comentários sobre “8. A liberdade da solidão

  1. Thaís Figueiredo 20/12/2014 / 20:45

    Espero que ela se reproduza num novelo de ideias.

    🙂

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  2. Aurea Cristina Szczpanski 23/12/2014 / 9:38

    Tem uma frase no “Contrato Social”, do Rousseau, que diz assim: “Prefiro a perigosa liberdade à calma servidão”. E tenho dito! Mas, como não tenho condições pra fundar coisa alguma…

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