A guerra eterna

Foto | Ed Ross
Foto | Ed Ross

 

 

Os homens parecem nunca se cansar de suas guerras. A sensação de poder esquenta as veias, a noção de que é possível apropriar-se daquilo que se quer, mas sobretudo a sensação de poder aniquilar os outros, os estranhos, sem dar satisfação a ninguém. A guerra estimula o homem dentro do homem, o monstro da destruição a lhe esquentar o peito, o sem sentido de tudo em expansão geométrica. Os homens não se cansam de enfiar seus aríetes nas portas do inimigo, eles não podem se cansar. Até sorriem, de vez em quando, em prol da manutenção do moral, mas não é isso que os mobiliza, é antecipar o gosto do ferro por entre a umidade viscosa do sangue do oponente a se esparramar pela boca. O sabor da vitória, o som agradável do pescoço adversário a se quebrar sob o poder da própria bota. Infligir humilhação, deixar que o inimigo sinta o amargo implacável da derrota. E depois ouvir as velhas histórias de sofrimento dos companheiros, os relatos das atrocidades impostas (o que leva ao orgulho) ou sofridas (o que produz lamento). É preciso sempre se sujar em busca de dignidade. A guerra é a brincadeira do adulto, seu parque de diversões para compensar os pesadelos que é obrigado a atravessar. Além disso, é ótimo ter assunto para as conversas durante e depois do jantar.

 

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