Prestes a viajar

submarino-no-gelo

 

 

O sujeito estava sentado num banco da estação de trem, a mala aos pés, um sobretudo para combater o frio. Ele tinha ido ao país estrangeiro com a imaginação instilada por uma série de romances que lia sobretudo em traduções. O país encontrado, no entanto, foi inteiramente distinto, a não ser por uma ou outra daquelas construções antigas que sobrevivem aos avanços do tempo e à ganância dos empresários do setor imobiliário. A decepção do sujeito é quase tão grande quanto o frio que está sentindo. Ele aguarda o trem que o levará a um país diferente — e se vem aí outra decepção não é o caso avaliar neste momento, mas certamente é tema que lhe ocupa o pensamento. Resta deixá-lo aí, as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo, as pernas unidas para evitar dissipação do calor, e torcer pelo melhor, mas sem que se possa dar qualquer tipo de garantia. Como acontece na vida, aliás.

 

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