Ramificações

Foto | Gunars Binde
Foto | Gunars Binde

 

 

Eram histórias infinitas, sobretudo entrelaçadas. Numa, minha namorada pintava as unhas do pé, cigarro pendurado no lábio com desdém, enquanto eu insistia com ela que fumar era absolutamente inútil e prejudicial às duas saúdes, financeira e física. Ela em vez de me dar ouvidos aumentava o desdém, como se tivesse um botão de volume. Noutra, meu cão Emanuel perdia uma pata traseira num acidente automobilístico e ganhava um ar tristonho que comovia toda a mulherada do meu prédio — o que se revelou ótimo porque aumentou meu nível de faturamento xoxotal —, mas nunca jamais enganou seu Almeida, o porteiro mau humorado que detesta cães e via toda a minha cretinice em andamento. Noutra ainda, eu tinha um nome diferente do meu, uma história diferente da minha, era um sujeito cheio de amigos e recebia convites o tempo todo, o que transformou minha vida numa festa e a mim nesse alcoólatra que agora precisa frequentar reabilitação. As histórias se entrelaçam, pois sim, mas a verdade é que em todas a melancolia, esse sentimento tão absolutamente fora de moda, continua a dar as cartas.

 

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