Ruínas da literatura

xícara-de-café

 

 

Ele escolheu ser escritor na época errada, quando a literatura enquanto novidade tinha se tornado obsoleta e as pessoas continuariam a ler apenas até perder completamente o impulso. Inércia, explicaria o físico, numa única palavra. Mesmo assim, ele acreditava que conseguia captar a grandeza do projeto, a literatura era como aqueles bustos de membros decepados que os gregos construíram por inteiro há milhares de anos e cujas ruínas eram admiradas hoje, sobretudo pelo poder de evocação que uma peça deteriorada pela ação do tempo provoca: o passado tem importância e um recado que merece ser ouvido. Mesmo assim, ele não iria desistir, simplesmente porque aquela atividade é que o ajudava a definir a pessoa que ele era no mundo, em ruína ou não.

 

2 comentários sobre “Ruínas da literatura

  1. marielfernandes 14/03/2015 / 21:12

    Escrever é um rito, o ofício, um calmante que enerva. Não há como parar isso de tão humano que é.

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