Como educar para a discrição

Foto | Kersti K
Foto | Kersti K

 

 

No Uruguai, reparei um dia, caminhando por uma passagem entre a Biblioteca Nacional e a Faculdade de Direito, ambas construções antigas e sóbrias, que os balanços para crianças são muito altos, ficam longe do chão. Sendo o uruguaio um sujeito discreto e contido, minha mente formulou a seguinte teoria: é assim que são educadas as crianças para a discrição. Colocadas num balanço alto, aquelas que aprendem a se conter crescem para se tornar pessoas contidas, autocentradas. Os impetuosos se lançam do balanço, caem de cabeça e morrem. Paciência, dizem os pais sem muito alarde, e tentam educar o próximo. Além disso, sendo alto o balanço, o impulso é mais restrito do que se a corda fosse longa, o que também ensina contenção. Nada parece abalar a discrição e a tranquilidade segura de um uruguaio. Quando fui tentar me inscrever na Academia Pedagógica do país para explicar os fundamentos da minha teoria, me chamaram de louco e me negaram a inscrição.

 

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