República do protesto

touro

 

 

As pessoas estavam se manifestando o tempo todo, a respeito de rigorosamente tudo. Não saíam de casa sem um cartaz na mão que dissesse o quão revoltadas estavam com o estado das coisas. Havia cartazes engraçados, provocadores, irônicos, desaforados, impertinentes, havia de tudo, até um sujeito que se revoltou contra a trajetória e a direção da Lua em torno da Terra e desta em torno do Sol. “Melhor girar para o outro lado”, sugeria o cartaz revoltoso. Um sujeito, solitário e com os olhos meio arregalados nas órbitas, protestou sozinho contra o que seu cartaz chamava de epidemia dos protestos. Esse foi o único cidadão que enviaram para a cadeia e impediram de manifestar o pleno exercício da alegada democracia e liberdade de expressão. Já pensou se a moda pega?, comentou o juiz que lhe deu a sentença, repreendendo-o na corte.

 

2 comentários sobre “República do protesto

  1. Thaís Figueiredo 20/08/2015 / 13:32

    Ainda bem que esse texto é ficção. Se a moda pega ia ter gente pedindo as coisas mais estapafúrdias, como a volta do Sarney, por exemplo… Já imaginou? Aí a humanidade seria obrigada a assumir que “deu ruim”…

    Medo.

    Já pode suspender a operação “Planeta Terra”?

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    • paulopaniago 20/08/2015 / 14:04

      Mas espera, parece que alguém andou pedindo por aí a volta do Sarney. Das duas uma: não viveu nessa época ou não tem qualquer memória que preste. O fato é que deu ruim, mesmo, mas a gente insiste.

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