5. Plano alternativo

Imagem | Daniel E. Greene

 

É curioso o poder que o metrô exerce sobre as pessoas, tornando-as silenciosas. Mas notei isso a respeito de todos os meios de transporte, em geral conseguem calar as pessoas, normalmente tão falantes. É como se o movimento não natural, além da velocidade das próprias pernas, remetesse as pessoas a meditações de maneira praticamente instantânea. Claro que há exceções. Essas duas jovens que entraram agora, por exemplo, Cláudia e Raquel, com seus jeans apertados que ajudam as respectivas bundas e pernas a ganharem destaque, uma de camiseta de algodão, justa, a outra com uma espécie de camisa de um tecido fino, ligeiramente transparente, o que deixa ver o modelo do sutiã que ela escolheu. Ambas estavam conversando na plataforma, eu vi quando o metrô foi diminuindo a velocidade, e pararam apenas o tempo suficiente para entrar no vagão em que estou. Então retomaram a conversa, apenas abaixando um pouco o volume da voz para não atrapalharem os outros passageiros e talvez porque estejam trocando algumas confidências. São amigas desde muito tempo, brincaram juntas na infância dividindo bonecas e utensílios de plástico que imitam panelas, frigideiras e caçarolas. Recentemente, descobriram as delícias e prazeres proporcionados pelo convívio com o sexo oposto e cada uma arrumou um namorado. Chegaram a fazer alguns programas juntos, o quarteto em harmonia de interesses e assuntos. Mas, curiosamente, descobriram também praticamente ao mesmo tempo os dissabores quando a imaturidade masculina se manifestou de maneira desajeitada e catastrófica. Para se consolar uma a outra, permitiram-se trocar beijos e carícias aproveitando a ausência dos pais em casa. Perceberam que a atração que sentem pelo sexo masculino não impede a manifestação de outras formas de desejo e satisfação das respectivas libidos. Agora que as encontrei, estão à beira de abrir um negócio lucrativo, no qual vão oferecer os serviços para quem se interessar a pagar. Vão para a cama juntas com o interessado, singular ou plural, ou apenas entre si, caso ele ou ela ou eles prefiram apenas contemplar. É negociável.

Publicado por

paulopaniago

digo não

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