CONTÍCULOS (122) Impertinências simbólicas

 

 

Ela tinha um interdito claro no final da beleza: um anel de casamento. Como impertinente profissional, me vi estimulado a ultrapassar a barreira, afinal tão simbólica quanto tanta coisa. Nunca menospreze o poder dos símbolos, havia dito para a minha classe um velho professor, há muitos anos, e a recomendação me voltou à memória.

É preciso renovar o estoque de semiótica, eu diria ao velho professor, se nos reencontrássemos, e em seguida passaria a lhe contar o caso com mulher casada e como a conquistei — resguardando-lhe o nome, como dita a regra cavalheiresca, símbolo que continuo a respeitar.

 

 

— Paulo Paniago