Cadê Teresa

Foto | Jenny Gage e Tom Betterton
Foto | Jenny Gage e Tom Betterton

 

 

Também podemos chamar outro nome, ou em outro lugar.

Italo Calvino — Um general na biblioteca

 

As mãos em concha, o prédio em Brasília, gritei para o último andar:

— Teresa!

Apareceu alguém para me ajudar e depois mais um. A solidariedade do grito, achei bacana. Contava um, dois e três, depois juntos escandíamos:

— Te-reeee-saaa!

Alguém teve a presença de espírito de perguntar se o interfone estava quebrado. Acenei com a cabeça e disse: é capaz.

Até que alguém se deu conta.

— Você não mora aqui, nem ninguém chamada Teresa. Você só está imitando o que leu num conto do Italo Calvino. Eu conheço o livro, me lembro disso.

Como eu confirmasse, com a cara mais lavada do mundo, eles se foram, me chamando de cretino e farsante, entre outras coisas. Parecia que ela estava só esperando que todo mundo se dispersasse, como se fosse a pessoa mais tímida deste mundo. Teresa apareceu na janela, sorriu para mim e se inclinou para que eu a ouvisse melhor:

— Sobe, vou abrir.